segunda-feira, 20 de outubro de 2008

SERÁ QUE AGORA VAI?


Há cerca de um ano e meio, a imprensa amazonense abriu suas páginas para noticiar em alto e bom tom, que 15 municípios do Estado ganhariam portos até ao final do ano de 2008, num investimento milionário, orçado na fábula de 105 milhões de dólares, tudo isto, graças à “alma caridosa e generosa” do ministro dos transportes do Brasil, Alfredo Nascimento.
De lá pra cá, o que se viu em Humaitá – um dos contemplados, foi uma sucessão de eventos, no mínimo muito estranhos, que além de levantarem inúmeras suspeitas, têm efetivamente causado enormes prejuízos materiais e não pouca preocupação no seio da população, que assiste estarrecida ao menosprezo e descaso patrocinado pela empresa Docas do Maranhão e demais parceiros dessa empreitada.
O próprio ministro Alfredo Nascimento, visitou o local da obra, iniciada às portas do rigoroso e impiedoso inverno amazônico, quando o rigor das chuvas e a conseqüente cheia do Rio Madeira, não permitem qualquer atividade. Mesmo assim, toneladas e toneladas de terra foram retiradas do local, abrindo uma enorme cratera, que só serviu para adiantar o inevitável desmoronamento da histórica Rua Monteiro.
Paralisada a obra, o local serviu durante o inverno, apenas e tão somente de “estacionamento” para embarcações de pequeno e grande porte, além de aumentar ainda mais as dúvidas e incertezas do povo de Humaitá, em particular, comerciantes e moradores do entorno, que viviam e vivem na expectativa de terem de uma hora pra outra, seu rico patrimônio, engolido pelo rio. Será que o Ministério dos Transportes, a Empresa Docas do Maranhão e até mesmo o governo do Amazonas podem dar alguma explicação? Mais uma vez, tão logo começou o período das chuvas, lá estavam os valorosos funcionários, novamente cavando, cavando, cavando...
Resultado? O que você esperava? Mais desmoronamento, mais prejuízos. Uma das mais tradicionais lojas de departamento da cidade, a Loja Popular, teve seu estoque retirado às pressas, caso contrário, tudo se perderia, porque o avanço da cratera foi inevitável e da noite para o dia “engoliu” a Rua Monteiro, agora interditada por tapumes colocados no local.
Quem paga o prejuízo? Quem responde pelo mau planejamento? Ou vão dizer que isso tudo já era previsível e a empresa sabia o que estava fazendo? Por que será que essas obras só são retomadas quando já não se pode fazer muita coisa? Atraso na liberação de recursos? E o planejamento onde fica?
Só pra você saber, a empresa Sistema Pri Petcom ganhou uma concorrência no valor de R$ 1,7 milhão para prestar consultoria técnica e realizar estudos especializados de engenharia consultiva visando a modelagem operacional dos portos de Autazes, Borba, Barcelos, Iranduba, Fonte Boa, Humaitá, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manicoré, Novo Aripuanã, São Paulo de Olivença, Santa Isabel do Rio Negro, Tefé, Tonantins e Uricurituba. Com todo esse recurso e com toda a tecnologia disponível, não foi possível “descobrir” que chove copiosamente no Amazonas?
O caboclo ribeirinho sabe com quase exatidão a época certa para cada atividade. Assim ele planeja, plantio, colheita, pesca, caça, extração mineral e vegetal, etc. Sabe até a hora em que o peixe tem mais probabilidade de “aparecer”. Curiosamente, só nossos valorosos engenheiros e técnicos não sabem dessas particularidades.


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Detalhes do Convênio
UF: MA Município: ACAILANDIA

Detalhes do Convênio

Número do Convênio SIAFI: 556718

Nº Original: 393003200500271
Objeto do Convênio: Execução de obras e serviços para a implantação do Porto no Município de Humaitá, no Estado do Amazonas.
Orgão Superior: MINISTERIO DOS TRANSPORTES
Concedente: DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAEST DE TRANSP.
Convenente: COMPANHIA DOCAS DO MARANHAO CODOMAR
Valor Convênio: 10.881.712,55
Valor Liberado: 6.500.583,83
Publicação: 06/01/2006
Início da Vigência: 06/01/2006
Fim da Vigência: 30/04/2009
Valor Contrapartida: 0,00
Data Última Liberação: 24/07/2008
Valor Última Liberação: 379.460,00
As informações dos convênios são extraídas do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal - SIAFI, sendo de responsabilidade do Órgão fornecedor dos dados (origem)



COMENTÁRIOS

O escritor e historiador humaitaense Raimundo Neves, escreveu sobre o texto que homenageia os professores humaitaenses:
Caro conterrâneo Elias,

"Li com gosto e atenciosamente o seu texto. É maravilhoso recordar certas coisas sobre a nossa querida Humaitá, pois todas elas me falam de tantas e tantas coisas inesquecíveis. O nosso tradicional Oswaldo Cruz, berço de tantos e tantos intelectuais que por lá passaram e lá aprenderam as primeiras letras do ABC. É maravilhoso também recordar os velhos amigos, tal como falas do nosso Luis Santos. Confesso que gostei do conteúdo do texto e de suas expressões.... "

EM HOMENAGEM AO DIA DO POETA

Carlos Drummond de Andrade

Definitivo como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos
conhecido uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável , um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado
e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido
ao lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos ,
por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos .
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo, para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando –se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

As estercúlias (lamentavelmente) estão de volta!

O famoso escritor americano Jonh Grisham, em sua não menos conhecida obra “O Último Jurado” – ed. Rocco, ressaltou à página 83, capítulo 9, que “uma imprensa livre e sem restrições é essencial para um sólido governo democrático”. Advogado de formação, Grisham sabia o que estava dizendo.
Aliás, a liberdade de expressão é no nosso entender cláusula pétrea, estampada em nossa Carta maior, precisamente nesses termos: é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato (Art. 5º, IV). A liberdade de expressão é, portanto o instrumento legítimo, democrático e constitucional através do qual externamos nossas opiniões, favoráveis ou contrárias, agradáveis ou não.
Entretanto, não se pode em nome de uma suposta “liberdade de expressão” enxovalhar e achincalhar o nome de quem quer que seja, ainda que o mereça, que faça jus à contundência das palavras que o qualifique como isso ou aquilo. Por outro lado é igualmente repulsiva e condenável a prática do anonimato, sobretudo quando se trata da manifestação de opinião, e, mais ainda, através de panfletos apócrifos, verdadeiras estercúlias que brotam do lamaçal apodrecido e fétido que compõe a mente doentia de quem por fraqueza de caráter ou moral duvidosa, não reúne a coragem e a honradez necessárias para assumir aquilo que pensa, as idéias que defende, os planos que anseia executar, notadamente no campo político.
As estercúlias, lamentavelmente estão de volta! E cada vez mais deprimentes, cada vez mais encharcadas da vil torpeza e da mágoa rancorosa de quem as produz. Se torcermos uma dessas chamadas “cartinhas”, surgirá o grosso caldo da injúria, da difamação, e, acima de tudo, da insensatez de quem, por falta do que fazer, ou pelo simples prazer de ser um ser vil e ignóbil, fruto do submundo irracional da indecência, se dá a esse labor.
Circula na cidade, mais um produto dessa gentinha menor, sub-produzida, reculhamba que não tem coragem de mostrar o rosto. Mais um produto de quem destila a própria incompetência, nesse tipo de expediente, sempre de forma desrespeitosa, afrontosa e vil.
Ao se lançar mão desse expediente, lança-se sobre os mais diferentes cidadãos, a suspeita da autoria de tais manifestações, o que enseja, por conseguinte, sentimentos pouco recomendáveis, sobretudo naqueles atingidos diretamente por tais ataques. E novamente evocando um epistolar artigo de nossa Constituição, “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação” (art. 5º. X), reiteramos nosso repúdio e nossa decepção, com uma minúscula porção de nossa sociedade, que bem poderia estar fazendo algo de bom.
Assim sendo, cumpre-nos desafiar àqueles (as) que têm buscado na sombra dessa prática torpe e maledicente, manifestar opinião acerca do governo municipal, da Câmara de vereadores, famílias de Humaitá, ou seja lá qual for o assunto, a mostrarem o rosto, assumirem suas posições, demonstrarem o quanto são cidadãos de bem, de respeito e de caráter ou, assumirem de vez, não de forma velada, sua canalhice, despreparo, incompetência e todos os demais traços negativos que os impulsionam a esse espetáculo trágico, deprimente e doentio.

Elias Pereira

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Naquele Grupo Escolar

Corria o ano de 1975, o diretor Luis da Silva Santos, com seu inconfundível sino de mão, anunciava o início de mais um ano letivo, naquela tarde quente de fevereiro ou março, quando a televisão ainda não perturbava o silêncio dos poucos moradores que circundavam o famoso Grupo Escolar Osvaldo Cruz, marca indelével de boa educação.
A balbúrdia de dezenas de meninos e meninas, com seus Congas Azuis, enfileirados sob o sol escaldante - eram 13 horas - prenunciava que aquele diretor teria mais um ano de muito trabalho e intensa atividade, o que, aliás, lhe renderia, naquele e nos vindouros anos, uma cabeleira, ou o que restou dela, esbranquiçada e rala, coisa que a Bíblia chama de cãs.
Imponente e bela, a catedral de Nossa Senhora da Conceição, assistia do alto o deslizar silencioso das águas barrentas do rio Madeira, correndo em direção ao Purizinho e outras paragens. A enorme imagem do Cristo crucificado, à entrada da Catedral, inspirava fé nos mais velhos e metia medo em muitos daqueles iniciantes na vida escolar, que mais tarde se acostumariam de qualquer jeito a ela.
Ali próximo, a intendência cuidava de sua rotina e da vida de pouco mais de 1.700 moradores da cidade. A maioria da população do município, estava radicada no interior. No coreto e com o suor escorrendo pelo rosto, alguns transeuntes recobravam o fôlego, antes de seguirem na caminhada, rumo aos seus interesses. Algumas sombrinhas coloridas indicavam que senhoras estavam à procura de fazendas e aviamentos, nas casas do ramo. Era preciso costurar para todos da casa.
No Patronato Maria Auxiliadora, as meninas com seu inconfundível uniforme de “x” nas costas, davam um tom de elegância e status àquele educandário, freqüentado só “por quem podia estudar no Patronato”, era o que diziam. Os meninos, por sua vez, já eram aceitos como alunos. O Patronato inicialmente, fora criado para hospedar e educar apenas moças.
O som estridente do sino do diretor Luis Santos, era o sinal claro de que se pedia silêncio e ordem nas filas, condição para o canto do Hino Nacional e avisos de interesse coletivo. À ordem do diretor uma a uma, as filas se desfaziam rumo às salas, pela ordem. O 1º. ano primário – ali onde estávamos, saia primeiro. Estava na hora de conhecer, em uma das salas de baixo, o mundo dos livros. O primeiro deles, a Cartilha Caminho Suave.
Devidamente acomodados, os alunos do primeiro ano em suas carteiras de madeira, com lugar pra dois, ouviram pela primeira vez, a voz daquela, que dali por diante, seria a companhia diária e necessária da turminha. Firme em sua postura, mas, delicada como toda “querida professora”, nossa Mestra, Maria Inês Mariúba Marques, dava mais uma vez o tom inicial naquela orquestra que seria regida por ela, naquele ano de 1975, quando a Paranapanema S.A. e a Construtora Andrade Gutierrez S.A. ajudavam aos pais de muitos daqueles garotos e garotas, a peso de muito esforço e suor, levarem para a casa, o pão de cada dia.
Hoje, mais de 30 anos depois, reencontro minha professora Maria Inês, celebrando mais um aniversário. Marcada pela inexorável passagem do tempo, ainda conserva o ar de serenidade, mantém a velha postura de professora e seguramente, guarda em seu relicário, a lembrança de toda uma vida dedicada aos filhos de Humaitá.
Quantas lembranças, quantas recordações, quantas lágrimas, quanta alegria, decepções também há. A tristeza de ver seu primeiro colega de escola, morto a facadas anos depois, por um amigo seu, em uma festa no Chapéu de Palha. Era conhecido como “Vero”. Não me lembro mais do seu nome.
E assim a vida segue o seu curso. Com suas histórias, suas mentiras e suas verdades. Hoje contadas via e-mail, ao celular. Quem imaginaria isso àquela época. Era o “sofisticado” telex que aproximava as pessoas.
Com essas memórias, homenageio-a minha querida mestra Maria Inês. E em seu nome a todos os verdadeiramente professores e professoras que se dedicam a essa nobre causa. Aos canalhas, crápulas, baderneiros, arruaceiros e todos os demais que se disfarçam de professores, apenas para benefício próprio, o nosso repúdio.
E nessa homenagem, a manchete de capa, do jornal O Madeirense, que em sua edição nº. 011, de 12 de maio de 1918, assim abriu aquela edição histórica: “GRUPO ESCOLAR OSWALDO CRUZ – O povo humaythaense vai assistir no próximo dia 15 do corrente, a um dos espetáculos mais arrebatadores que o mundo pode offerecer. O mundo luminoso do pensamento: a inauguração de um grupo escolar, de um templo de resplandecimentos, onde se comprehende a belleza da vida, pela Bíblia do A,b,c. por uma coincidência que podemos classificar de maravilhosa, esse edifício destinado a espalhar lampejos de sol, terá suas portas abertas, precisamente no dia em que se comemora o anniversário da elevação de Humaythá, á cidade”.

Elias Pereira*


terça-feira, 14 de outubro de 2008

IV Jogos Universitários de Humaitá

Após a euforia das eleições municipais, a movimentação do último fim-de-semana em Humaitá, ficou por conta da realização da IV edição dos Jogos Universitários, envolvendo mais de 500 atletas universitários de diferentes instituições, familiares, torcedores e população.

Organizado pelo curso de Matemática da Universidade do Estado do Amazonas – UEA, os jogos foram realizados de 10 a 12 de outubro, no ginásio da Escola Estadual Governador Plínio Ramos Coelho – GM3, que nos três dias de competição recebeu centenas de torcedores. Participaram as Instituições UFAM, UEA, ULBRA e FATEP.
Na cerimônia de abertura, na noite de sexta-feira (10), foi realizado o tradicional concurso Garoto e Garota Universitária, com representantes de todos os cursos de graduação existentes na cidade. A cerimônia ainda contou com a tradicional chegada da tocha olímpica e com uma partida amistosa de futsal entre atletas de Humaitá e do vizinho município de Lábrea. O balé da Escola Betel, foi outro ponto alto da cerimônia de abertura.
Um momento de grande comoção foi o minuto de silêncio em homenagem póstuma à acadêmica do curso de Biologia da Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Simone Prattes, atropelada e morta na noite do último dia 04 de outubro. A cerimônia de abertura foi conduzida, a convite da Comissão Organizadora, pelo radialista Elias Pereira, da Rádio Vale do Rio Madeira.

Confira os resultados:

FUTSAL FEMININO
- 1º. Lugar: Curso de Educação Física da UEA
- 2º. Lugar: Pedagogia – UFAM
- 3º. Lugar: Engenharia Ambiental – UFAM

FUTSAL MASCULINO
- 1º. Lugar: Engenharia Ambiental – UFAM
- 2º. Lugar: Agronomia – UFAM
- 3º. Lugar: Educação Física – UEA

VÔLEI FEMININO
- 1º. Lugar: Letras – UEA
- 2º. Lugar: Educação Física – UEA
- 3º. Lugar: Matemática e Física – UFAM

VÔLEI MASCULINO
- 1º. Lugar: Matemática e Física – UFAM
- 2º. Lugar: Educação Física – UEA
- 3º. Lugar: Educação Física - UFAM

VRM deverá entrar no ar nos próximos dias

A Rádio Vale do Rio Madeira, que desde a tarde do dia 25 de setembro encontra-se fora do ar, deverá entrar em operação nos próximos dias, segundo informações de sua direção. De forma “misteriosa” a torre da VRM de 120 metros de altura, veio abaixo, ao final daquela tarde de quinta-feira.
Para muitos, a queda da torre foi resultado de um atentado político. Para outros, obra da natureza. De uma forma ou de outra, a empresa vem arcando com os enormes prejuízos financeiros e sociais, já que a VRM é a única emissora a atingir toda a zona rural do município e cumpre um papel fundamental na transmissão de avisos, recados, etc, além de possuir uma programação diversificada, distribuída em mais de 15 locutores, que se revezam durante 20 horas de programação diária.
De acordo com um dos proprietários da Emissora, Írio Jabes Guerra de Souza, “estamos fazendo todo o possível para não deixar o município órfão de comunicação, pois sabemos da importância da emissora para Humaitá e região, pois ao longo de mais de 20 anos, a VRM tem sido a voz do povo de Humaitá”.
Uma empresa de Goiânia-GO é a responsável pela reconstrução de toda a estrutura que irá permitir a retomada de todas as atividades da Rádio Vale do Rio Madeira. Ainda de acordo com a direção, esse tempo fora do ar está sendo utilizado para uma verdadeira reformulação em sua grade de programação, o que permitirá que a emissora volte com muito mais atrações e ainda muito mais fortalecida em termos de liderança.

Quem matou Simone?

O brutal atropelamento e a conseqüente morte da jovem senhora Simone Prattes, ocorrido na noite de 04 de outubro (sábado), véspera da eleição municipal, continua sem solução. Apesar de todo o clamor popular, passeata de protesto dos colegas de trabalho, nem as autoridades, muito menos a imprensa abordam o assunto. Curiosamente, a “imprensa” local, que tanto ‘berra’ pra lá e pra cá, denunciando isso e aquilo, nenhuma vírgula escreveu sobre o ocorrido.
Esposa de um sargento do Exército Brasileiro, a jovem Simone retornava para casa, aí pelas 21 horas, quando foi violentamente atropelada por um veículo, cujo condutor, evadiu-se do local, sem prestar qualquer socorro. Agonizante, a vitima foi socorrida por populares, sendo recolhida ao Hospital de Humaitá, onde trabalhava.
Apesar de todo o esforço dos médicos, Simone faleceu momentos depois. Como morava apenas com o esposo, que na ocasião encontrava-se em missão no Distrito de Santo Antonio do Matupi (BR-230, km 180), o corpo gélido da moça ficou à espera do marido no necrotério do hospital. Fala-se que tem “gente grande” envolvida no crime. Uma suposta autora do atropelamento, teria se apresentado à Polícia Civil de Humaitá.
De concreto mesmo, apenas a dor da família enlutada, no Rio de Janeiro, que a duras penas suportou a dor da notícia da morte e a agonia da chegada do corpo da vítima. Concreta também é a revolta de amigos de trabalho e colegas de faculdade. Simone Prattes era acadêmica do curso de Biologia da Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Houve protestos, passeatas, pedidos de justiça. Mas, a pergunta continua. Quem matou Simone?

Elias Pereira

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Caros amigos e amigas

Amigos de Humaitá....

Em meados do ano de 2005 para 2006, dediquei-me a escrever vários textos, refletindo os rumos do nosso município, do ponto de vista político, social, econômico e cultural. Dadas as muitas atividades que me absorviam quase todo o tempo, incluindo trabalho e estudos, dei uma brecada na produção.
Agora, retomo esse trabalho, pelo prazer de escrever e pela necessidade de continuar refletindo nosso município, sobretudo, agora, quando iniciaremos um novo governo municipal. Quero convidar a todos para que juntos tenhamos essa consciência, que precisamos fazer ouvir nossa voz, seja debatendo, analisendo ou contribuindo com nosso conhecimento e experiência.
Ainda não publico nenhum texto novo, por enquanto, releio os antigos, que a bem da verdade têm muito de atual. Desejo que os amigos e amigas também os leiam, ou reeleiam. Um abraço e conto com a colaboração de todos.

Elias.

136 anos: nuvens no horizonte

Se a célebre constatação de Pero Vaz de Caminha, “nessa terra em se plantando tudo dá”, houvesse ecoado nos idos de 1869, mais precisamente nas paragens de Humaitá, não estaria em absoluto, fora de contexto, aliás, a pródiga terra-mãe que a todos acolheu e acolhe, tem testemunhado o apogeu e declínio de sucessivas gerações, seus sonhos, anseios e desilusões.Foi ela que encheu os olhos do destemido Francisco Monteiro, homem de fibra, que nela deitou as sementes da esperança de fartura e do sonho de riquezas. Foi ela que de coração aberto, acolheu levas de nordestinos, que em busca do “ouro branco”, embrenharam-se mata a dentro, regando com sangue, suor e lágrimas, o pedaço que mais tarde lhes serviria como última morada.Foi ela que de suas entranhas pariu gente do porte de Álvaro Botelho Maia, célebre defensor do caboclo amazônida, homem de inigualável saber e de retumbante discurso que a todos empolgava, bravura comparada a do destemido tuxaua Ajuricaba.Foi esta terra-mãe que de seu lugar privilegiado, viu a história ser escrita por mãos inteligentes, sábias, cujo ímpeto maior sempre foi o bem estar coletivo e a luta pelo bem comum. Mas viu também mãos sórdidas, gananciosas e ágeis, a dilapidar nossas riquezas e destruir nossos sonhos.Foi esta terra, que de braços estendidos, permitiu que nela fossem lançadas as sementes da fé. A religião era tão importante quanto necessária. Aliás, a seu modo, o homem não vive, sem religião.É ela, que guarda no seu relicário, um enorme corolário de histórias, contos, lendas, enfim. Belas histórias, que o tempo, silenciosamente está apagando, histórias que infelizmente estão sendo esquecidas na mente das poucas pessoas, que ainda delas se lembram.Mas é ela também, que vê raiar um novo, dia, um novo tempo, uma nova geração, uma nova forma de se tratar gente e coisas, governo e população. É ela que nos aponta novos caminhos e novas saídas, nuvens no horizonte, pequenas ainda, mas que já prenunciam uma nova realidade, graças a Deus! Nuvens que hão de trazer a esperada chuva de prosperidade e justiça, que haverá de inundar cada pedacinho desse chão. Chuva de moralidade, ética e respeito à coisa pública. Chuva de compromisso de seus governantes com a transparência, a seriedade e honestidade.Esta querida terra-mãe, abençoada por Deus e bonita por natureza, há ver seu povo letrado, respeitado, tratado como gente! Há de ver sua gente bonita, tratada com seriedade, porque gente daqui, não é coisa, objeto, gente daqui, pensa, sente, sonha, é inteligente e sabe cobrar.Essa terra-mãe há de ver governantes corruptos, recebendo o tratamento que merecem a injustiça sendo espancada impiedosamente e a intolerância dando lugar ao compromisso cristão da tolerância e do convívio pacífico de todos os cidadãos.Nossa querida terra mãe há de ver, o brado de Álvaro Maia, romper décadas e décadas de silencio, para finalmente produzir os efeitos que o tuxaua humaitaense tanto sonhava. A 9 de maio de 1923, em seu discurso Canção de Fé e Esperança, comemorativo à adesão do Amazonas à Independência do Brasil, Álvaro Maia recorreu ao exemplo de Ajuricaba, e assim sentenciou: [...] acordar na alma da mocidade, as energias adormecidas, vertendo-lhe aquele desapego que levou Ajuricaba à rebelião e à morte dos modos supremos de reagir às opressões e tiranias. [...] e com o pensamento na claridade redentora de amanhã, sonhando homens livres dentro de uma nação livre e um grande Amazonas integrado a um grande Brasil, fraternizados pela comunhão da terra e da raça, pelo mesmo ideal do idioma e da história [...].